Além de RG, acesso a banheiro é barreira para permanência de transexuais no mercado formal de trabalho

   Estar no corpo feminino, se identificar como mulher e ser obrigada a usar o banheiro masculino por ter nascido homem. O universo da transexualidade ultrapassa as dificuldades enfrentadas nas escolas e esbarra nas portas fechadas do mercado de trabalho formal a esse grupo da sociedade.
   As dificuldades de acesso de transexuais e travestis a um emprego como a maioria dos cidadãos é, inclusive, um dos fatores que alimentam o aumento da prostituição desse grupo no Brasil. É bastante incomum ver um transexual ou travesti exercendo atividades que não sejam a de cabelereiro e maquiador. Assumindo grandes cargos e chefias, então, menos ainda.
    A LGBTfobia e Racismo no Mundo do Trabalho foi debatido recentemente pela Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados. Concluiu-se que há muito a se fazer para mudar o perfil da formalidade de emprego de transgêneros. A começar pelo direito ao uso do banheiro, de acordo com a identidade de gênero.
    Presidente da comissão, o deputado federal Orlando Silva, do PCdoB de São Paulo, acredita que as empresas devem ser estimuladas a contratar funcionários transgêneros. E, principalmente, aprender a respeitá-los.
    “Nessa matéria, o exemplo é que vale muito. Então eu creio que a medida principal deveria ser estimular empresas, inclusive com estímulos fiscais, para empresas que acolhem essa população. De modo que, a partir do exemplo dessas empresas nós possamos ter a cidadania plena e o respeito à diversidade.”
    Pesquisadora da Universidade de Brasília, Taya Carneiro desenvolve uma pesquisa sobre a discriminação e a empregabilidade trans no Distrito Federal. O medo da violência e de ser submetido a um constrangimento é tanto que a maioria dos transexuais e travestis evita procurar uma relocação no mercado formal. Taya conta que o problema sobre qual banheiro é permitido a quem muda de gênero começa na escola. E se reflete na vida adulta.
     “Muitas pessoas relataram problemas de saúde relacionados à urina porque não conseguiam utilizar o banheiro, ficavam segurando até ir a um banheiro privado, dentro de casa, e desenvolviam problemas de saúde relacionados a isso
     Muitos entrevistados consideram o mercado de prostituição menos opressivo do que o mercado formal de trabalho. Estima-se que 90% de transexuais e travestis fazem do próprio corpo o seu meio de sustento. O resultado da pesquisa da Unb feita com esses cidadãos no Distrito Federal está previsto para ser divulgado em novembro.
 
De Brasília, Hédio Júnior

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