POLÍTICA: Definição do próximo relator da Lava Jato deve ocorrer rapidamente, afirma cientista político.

REPÓRTER: A ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, fez a homologação das delações de 77 executivos e ex-funcionários da Odebrecht na manhã desta segunda-feira e agora a documentação está com a Procuradoria-Geral da República. Nos depoimentos, são relatados o esquema de corrupção na Petrobras investigado na Operação Lava Jato.

De acordo com a Polícia Federal, a Odebrecht tinha um departamento exclusivo para o pagamento de propinas, chamado Setor de Operações Estruturadas e tudo era registrado por um sistema de computadores, com servidores localizados na Suíça. O Ministério Público Federal ainda tem dificuldade para ter acesso as informações, devido a segurança dos protocolos do sistema.

Com esta homologação, mais de 800 depoimentos de executivos e ex-funcionários da Odebrecht se tornam válidas juridicamente e podem ser usados como prova. O que resta saber, é se a presidente do STF vai ou não retirar o sigilo das delações, afinal, envolve diversos políticos que ainda estão com mandato em curso.

Para o analista político Marcelo Moraes, a grande expectativa agora é a redistribuição do processo para que a gente possa conhecer finalmente, quem será o ministro ou ministra do Supremo que vai tocar a investigação da Lava Jato daqui para frente. Segundo ele, a decisão da presidente do STF de manter este sigilo foi importante, pois nesta semana vão ocorrer duas votações importantes.

TEC./SONORA: Analista político Marcelo Moraes (0:24)

“Foi importante ela ter mantido este sigilo, do ponto de vista político, porque nós temos duas eleições importantes na quarta e quinta-feira, a eleição da Presidência da Câmara, para a Presidência do Senado… Então nomes ali que podem estar concorrendo a estes cargos, poderiam aparecer nestas delações ou no vazamento desta homologação dessas delações, porque poderia até mesmo, dependendo do que tiver aí, neste material, atrapalhar os planos do governo para eleição dos seus candidatos às Mesas da Câmara e do Senado”.

REPÓRTER: A Ordem dos Advogados do Brasil defendeu a retirada do sigilo das delações e por meio de nota, afirmou que “é preciso que fique bastante claro à toda sociedade o papel de cada um dos envolvidos, sejam da iniciativa privada ou dos setores públicos”.

Depois do recesso, que termina nesta terça-feira, a ministra Carmén Lúcia não vai poder tomar decisões referente à Lava Jato, pois esta função vai ficar a cargo do próximo relator da operação no Supremo. Para o analista político Marcelo Moraes, a definição do próximo relator deve ocorrer rapidamente.

TEC./SONORA: Analista político Marcelo Moraes (0:20)

“Tudo nos leva a crer o sorteio ou a redistribuição do processo da Lava Jato vai acontecer com celeridade. É bem provável até que isto aconteça nesta semana ou na próxima para que todas as informações que vem sendo oficializadas agora com a homologação da delação, já possam ser processadas pelo novo relator da matéria e, futuramente, serem levadas a plenário para julgamento das pessoas que lá estiverem indicadas”.

REPÓRTER: Lembrando que esta delação da Odebrecht é considerada a mais importante das investigações da Lava Jato. E de acordo com a imprensa, foram mencionados até o momento, nomes do governo Michel Temer, incluindo o presidente, Dilma Rousseff, Luís Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin, José Serra, Renan Calheiros, entre outros. Todos eles negam que tenham cometidos irregularidades.

Reportagem, Cintia Moreira

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