Wellington Dias propõe incentivo para evitar fechamento de empresa em Fronteiras

O governador Wellington Dias declarou, nessa segunda-feira (06), que vai abrir diálogo com odiretor da empresa produtora de cimento, Itapissuma, que comunicou, em nota, a suspensão das atividades no município de Fronteiras.

Wellington garantiu que vai receber o diretor da empresa, Leonildes Alves, e pretende buscar condições necessárias para que a fábrica continue operando. “Fui comunicado que a empresa iria suspender as atividades por 180 dias, e que em outras regiões ocorreram alguns incidentes. O Governo do Estado, nesse momento, busca formas para garantir que essa indústria continue operando normalmente, e que seu possível fechamento não afete famílias com o desemprego”, completa Dias.

Ainda segundo o governador, existe um programa de fundo de aval, que é um mecanismo utilizado para concessão de garantias complementares à contratação de operações de crédito para financiamento de investimentos pelas empresas junto às instituições financeiras.

Os fundos de aval podem ser formados com recursos de entidades públicas e privadas, que fomentam o desenvolvimento de micro e pequenas empresas que têm dificuldades no acesso ao crédito em função de não possuírem garantias suficientes à contratação de operações de crédito.

Em comunicado, a empresa informa que, desde essa segunda-feira (6), estará suspendendo temporariamente os serviços na fábrica de cimento localizada na Fazenda Monte Alvão, município de Fronteiras. Segundo a Itapissuma, tal suspensão deve-se ao agravamento da crise econômica que assola o país, em especial o ramo da construção civil.

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Foto da internet.

INTENDA O CASO

Na manhã desta segunda ainda, conforme a nota, todos os servidores da empresa seriam convocados para serem dispensados.

A Itapissuma S/A está instalada na Fazenda Monte Alvão, no município de Fronteiras há quase duas décadas e desde então é fonte de renda para muitas famílias da região.

Atualmente pouco mais de 500 pessoas trabalhavam na empresa.

“Estamos desesperados, temos família e filhos para criar, nosso destino com essa medida da empresa é incerto”, disse um dos colaboradores dispensado  da empresa

Para o empresário Dombil, que revende o cimento da empresa há pouco mais de dez anos, a suspensão dos serviços prejudicará em muito seus negócios e consequentemente acarretará na subida de preço do produto.

“Com o fechamento da empresa teremos que buscar o produto em outros estados, acarretando prejuízos para nós comerciantes e o produto com certeza ficará mais caro para o consumidor”, disse o comerciante.

Segundo informações, a empresa passa pelos mesmos problemas em todo o Brasil e em alguns estados o Ministério Público já acionou a empresa a pagar milhões de reais em atrasos salariais e benefícios aos seus servidores.

Impulso econômico

A instalação da fábrica de cimento em Fronteiras deu grande impulso ao desenvolvimento econômico e social do município e da região. A indústria está localizada na zona rural de Fronteiras, no limite com o município de Pio IX, próxima à localidade Quixaba, onde se encontra uma das maiores e melhores jazidas de mármore do mundo, comparada inclusive à de Carrara, na Itália.

A fábrica já foi apontada como uma das mais importantes do Nordeste e contribuiu para que Fronteiras alcançasse em 2012 o terceiro maior PIB per capita do Piauí (R$ 14.319,49). Quase igual, portanto, à média nacional (R$ 16.917,66) e mais de duas vezes maior do que a média estadual (R$ 6.051,10), conforme levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A sede do Grupo Nassau fica em Recife. Fundada por João Pereira dos Santos, patriarca da família, a marca homenageia o holandês Maurício de Nassau. O empresário João Santos – conhecido por “Seu Santos”, como gostava de ser chamado – fundou um império que incluiu, além das fábricas de cimento, companhias de açúcar e papel, fazendas, empresas de comunicação (TV e jornal) e uma empresa de táxi aéreo. Ele faleceu em 2009 e seu império começou a entrar em dificuldades.

As onze fábricas do Grupo João Santos, todas iniciadas pelo prefixo “ita”, de origem Tupi e que significa pedra, estão distribuídas em 10 estados do Norte, Nordeste e Sudeste: Cibrasa (Capanema – PA), Itapuí (Barbalha – CE), Itabira (Cariacica – ES), Itaguassu (Nossa Senhora do Socorro – SE), Itapessoca (Goiana – PE), Itapetinga(Mossoró – RN), Itapicuru – Codó – MA), Itapissuma (Fronteiras – PI), Itautinga (Manaus – AM), Itacimpasa (Itaituba – PA) e Itaguarana (Ituaçu – BA).

Os dois empreendimentos do Grupo em Goiana-PE, Cimento Nassau e a CAIG, chegam a contabilizar quase 1000 funcionários. Considerado um dos maiores complexos industriais do Nordeste, o Grupo João Santos obteve uma receita de R$ 2,8 bilhões, em 2009, segundo dados da Isto É Dinheiro e seu patrimônio foi avaliado em cerca de R$ 5 bilhões de reais.

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Nos últimos meses, a Itapessoca Agroindustrial foi palco de acontecimentos que chamaram a atenção da sociedade e das autoridades para a situação em que seus funcionários se encontraram. Com meses de salário atrasados, os trabalhadores da fábrica de cimento simplesmente cruzaram os braços e se recusaram a trabalhar. Muitos alegavam até estar passando fome. A crise entre os trabalhadores e a empresa precisou de interferência do Ministério Público do Trabalho, pois a classe alegava a falta de diálogo e o descaso com a situação. O ápice da situação aconteceu no dia em que manifestantes protestaram com cartazes e apitos em frente ao escritório central da empresa, no Recife.

Mal uma solução paliativa foi dada ao caso dos trabalhadores de Itapessoca, os funcionários de outra empresa do Grupo João Santos se depararam com a mesma situação. Com salários atrasados desde o mês de janeiro e após negociações que não garantiram resultados satisfatórios, foi a vez dos trabalhadores da CAIG (Usina Santa Teresa) pararem de trabalhar.

Indústrias do Grupo pararam no tempo 

Mesmo sendo um dos mais poderosos do Brasil, o Grupo João Santos parou no tempo. A preocupação com as questões familiares ganhou mais importância do que o futuro rentável dos empreendimentos.

A prova disso é o atraso na modernização das fábricas e a busca por novos mercados que não saíram do papel. No caso do Cimento Nassau, o problema ainda é maior. A fábrica possui uma planta da década de 50, de difícil e complexa operação e manutenção. Somado a isso, o surgimento de novas fábricas de cimento na região, como o Cimento Nacional, em Pitimbu PB, do Grupo Ricardo Brennand, com plantas modernas e produção maior, acabou impactando diretamente na venda do Cimento Nassau, que deixou de ser o mais procurado devido ao preço.

No epicentro dos atrasos salariais e desvalorização de seus produtos está a questão familiar.

Uma reportagem produzida pela revista Isto É Dinheiro, em 2010, já anunciava a crise instaurada que, mais cedo ou mais tarde, resultaria na situação atual.

No entanto, o império do Grupo começou a andar mal das pernas há 7 anos, na ocasião da morte do patriarca e presidente do conglomerado, João Pereira dos Santos.

Segundo a reportagem, a briga pelo controle do grupo teria de um lado Fernando Santos, José Bernadino Santos e Maria Clara Santos, filhos de João Santos e do outro lado as irmãs de João Santos, Ana Maria Santos e Rosália Santos, além de Alexandra, Rodrigo e Maria Helena, filhos do primogênito João Santos Filho, que faleceu na década de 80. As discórdias entre os parentes de João Santos começaram em 2009, durante o inventário dos bens deixados por ele.

O que era previsto acabou acontecendo e os próprios funcionários das empresas têm consciência de que essa disputa familiar acabou refletindo diretamente na vida de todos. É o que disse José Elizeu Ferreira, trabalhador do Grupo, durante os protestos pelo atraso de salário. “Ninguém aqui tem culpa da briga de cachorro grande entre eles. Queremos nossos direitos porque somos trabalhadores e cumprimos com nosso dever”. “Infelizmente eles envergonham até a memória do próprio João Santos”, disse outra funcionária.

Diante deste cenário, as especulações não poderiam ser outras. No meio empresarial e entre os próprios funcionários do grupo, a possibilidade de falência do complexo é dada como certa.

A Itapessoca Agroindustrial está promovendo um programa de demissão voluntária de seus colaboradores. Todos os funcionários estão sendo estimulados a procurarem o Departamento de Recursos Humanos e pedirem demissão. Em troca, a empresa se compromete a pagar todas as indenizações dos quais os trabalhadores têm direito, em dezenas de parcelas.

A reportagem do Goiana Notícias procurou, por diversas vezes, durante a semana, os porta-vozes do Grupo João Santos, mas não obteve qualquer resposta. O Grupo também não possui assessoria de imprensa.

Sangue e morte no canavial de Santa Teresa

Em 2010, a Justiça de Pernambuco condenou a Companhia Agroindustrial de Goiana (CAIG) a pagar uma indenização de R$ 100.000,00 (cem mil reais), com juros e correção monetária, à família do trabalhador Luiz Carlos da Silva, funcionário da Usina, que foi assassinado com um tiro na nuca pelos Policias Militares e seguranças da CAIG.

Em 4 de novembro de 1998, os canavieiros da Usina Santa Teresa e de todo o estado de Pernambuco estavam em greve, reivindicando melhores salários, pois, naquele ano, recebiam R$ 2,50 por tonelada de cana cortada.  

Diante da paralisação de seus canavieiros, a CAIG contratou cortadores de bambus para realizarem o serviço. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Goiana, juntamente com mais 80 grevistas, se dirigiu à Usina para convencer os demais trabalhadores a aderirem a greve.

Nas terras da Santa Teresa, um bloqueio formado por Policiais Militares e seguranças da CAIG interceptaram o grupo e promoveram uma verdadeira matança, segundo o Ministério Público. Nesta noite, que marcou profundamente a categoria e a população de Goiana, treze trabalhadores rurais foram feridos com tiros nas costas e Luiz Carlos da Silva, 27 anos de idade na época, foi assassinado com um tiro na nuca.

A justiça ainda condenou 5 soldados e 1 Capitão da Polícia Militar de Pernambuco, o administrador da Usina Santa Teresa, o encarregado da Segurança e mais 8 seguranças.

Vereadores não perdoaram dívidas do Grupo João Santos 

O Governo do Estado e a Prefeitura Municipal enviaram um projeto para a Câmara de Vereadores de Goiana, em 2013, tentando aprovar a isenção do Imposto sobre Transmissão de Bens e Imóveis (ITBI) do Grupo Industrial João Santos. Se fosse aprovado, o grupo se livraria de uma dívida de quase R$ 4 milhões com o município de Goiana. Os vereadores, por 12 votos a 1, não aprovaram a isenção.

Fontes: Do Goiana Notícias
http://www.bwint.org

REPRODUÇÃO: riachaonet.com

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