EDUCAÇÃO: Currículo escolar deve ser mais enxuto para que alunos aprendam o básico, avalia especialista.

REPÓRTER: O Comitê Gestor da Base Nacional Curricular Comum e Reforma do Ensino Médio deve começar já nesta segunda-feira (27) a analisar uma nova rodada de contribuições à Base.
A BNCC é o documento que vai definir quais são os conteúdos mínimos que devem ser ensinados aos alunos da educação básica brasileira. A discussão acontece depois que, no mês passado, o presidente Michel Temer sancionou a Reforma do Ensino Médio que mudou diversas regras para o ensino no Brasil. A reforma já tem força de lei desde setembro, mas depende da definição da Base para ser implementada efetivamente.
Acontece que muitas discussões envolvem o documento e, uma delas, questiona a extensão do currículo. Na avaliação do presidente da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino, Roberto Dornas, como o conteúdo ministrado nas escolas é muito extenso, os professores acabam perdendo o tempo de ensinar o que realmente é básico na educação.
SONORA: Roberto Dornas, presidente da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino
“De modo geral, principalmente em escola pública, o professor é contratado por um tempo maior do que as aulas que efetivamente ele dá. O que precisa é racionalizar a composição curricular, tirando aquilo que seja perfumaria. Porque aí automaticamente ele vai ter mais tempo para tratar dos conteúdos básicos.”
REPÓRTER: Segundo Roberto Dornas, outro fator que prejudica a qualidade do ensino brasileiro é a falta de estímulo para os professores. Para o presidente da Confenen, uma solução seria dar mais forças ao Ensino Médio Normal, quando – já durante o Ensino Médio – os alunos que querem ser professores se capacitam para dar aulas para estudantes até a quinta série.
SONORA: Roberto Dornas, presidente da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino
“Agora, a outra coisa que acontece, também, é a quantidade de leigos lecionando. Está faltando incrementar, estimular e manter o Ensino Normal Médio que sempre foi muito bom para preparar professores para lecionar até a quinta série. E essa é uma tarefa de governo e de interesse dos estados e municípios. Preparar os professores e preparar bem, já que eles vão trabalhar até a quinta série, até as primeiras séries do fundamental”.
REPÓRTER: O primeiro texto proposto para a Base Nacional Comum Curricular recebeu cerca de 12 milhões de contribuições de professores, alunos e pessoas interessadas pelo tema. Depois disso, o documento voltou ao governo para ser discutido em comissões nos 27 estados brasileiros. A discussão agora voltou ao Ministério da Educação, onde o novo texto deve trazer mudanças na formação dos professores.
Reportagem, Bruna Goularte

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